As possibilidades de o fenômeno El Niño se estabelecer durante o segundo semestre de 2026 e permanecer ativo até o final do ano chegaram a 82%, de acordo com a atualização divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Apesar do elevado percentual, os especialistas destacam que ainda é cedo para determinar qual será a intensidade do evento, já que o planeta atravessa um período conhecido como estação de transição climática.
Foto: Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE
Segundo o meteorologista Gilvan Sampaio, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e especialista no tema, as previsões realizadas durante a primavera e o outono apresentam maior grau de incerteza. Isso ocorre porque, nesses períodos, os modelos meteorológicos costumam perder precisão.
De acordo com o pesquisador, “É prematuro falar qualquer coisa em relação à intensidade do El Niño somente observando a temperatura da massa de água do oceano, especialmente agora, durante a estação de transição”, explica o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e especialista em El Niño, Gilvan Sampaio. Durante a primavera e o outono, os modelos climáticos ficam menos precisos.
Pesquisador da Divisão de Modelagem Numérica do Sistema Terrestre (DIMNT/INPE), Sampaio esclarece os principais aspectos relacionados ao fenômeno, como a caracterização e os diferentes impactos no Brasil. Ele enfatiza ainda a necessidade de colocar a mudança do clima à frente do El Niño no rol de preocupações climáticas. “O El Niño potencializa os eventos extremos provocados pelo aquecimento global”, afirma.
O acompanhamento das temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial é realizado por uma ampla rede internacional de observação coordenada pela NOAA. O sistema, conhecido como TOGA (Tropical Ocean Global Atmosphere), utiliza boias oceanográficas distribuídas ao longo da Linha do Equador para medir continuamente a temperatura da água.
Esses dados integram o Programa de Pesquisa Climática Global da Organização Meteorológica Mundial e servem como base para identificar o desenvolvimento do El Niño e seus possíveis reflexos sobre o clima mundial.
No Brasil, o monitoramento oficial do El Niño é realizado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), vinculado ao INPE, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. De acordo com Gilvan Sampaio, um novo boletim de acompanhamento deverá ser divulgado em breve, seguindo o modelo adotado durante o evento registrado em 2023, oferecendo informações atualizadas sobre a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos para o país. Fonte: Governo Federal, com informações da ASCOM/MCTI.