O Ministério da Saúde voltou a alertar a população sobre os riscos associados ao uso de pomadas capilares irregulares, destacando a necessidade de atenção redobrada, especialmente em períodos de maior procura por procedimentos estéticos, como festas de fim de ano, férias e Carnaval. O uso inadequado desses produtos pode provocar danos oculares, reações dermatológicas e outros efeitos adversos à saúde.
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O tema foi debatido em um webinário da série Diálogos em Saúde Ambiental, promovido pela Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental (CGVAM), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA). O encontro teve como objetivo orientar profissionais de saúde, trabalhadores do setor de beleza e consumidores sobre o uso seguro de pomadas capilares autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de reforçar a importância da notificação de casos de intoxicação exógena no Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados apresentados durante o evento mostram que, entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 3.821 casos de intoxicação exógena relacionados ao uso desses cosméticos. O maior número de notificações foi registrado em 2023, com 1.544 casos, seguido por 2024, com 1.479 ocorrências. Em 2025, até a semana epidemiológica 47, já haviam sido contabilizados 798 casos, indicando um cenário de alerta antes mesmo do período de maior incidência.
Segundo especialistas, os casos se concentram principalmente em grandes centros urbanos, com destaque para o Rio de Janeiro, que responde por 58,9% das notificações, seguido por Pernambuco e Bahia. A maioria dos registros envolve mulheres, especialmente na faixa etária de 21 a 40 anos, com maior incidência entre a população negra (pretos e pardos).
Durante o encontro, a médica e consultora técnica da CGVAM, Andréa Amoras, destacou que, apesar de serem classificados como cosméticos, esses produtos contêm substâncias químicas que podem causar lesões oculares graves, como ardor intenso, lacrimejamento, dor, fotofobia e visão borrada, com risco de evolução para lesões na córnea e perda visual temporária. Também foram relatados efeitos dermatológicos, como dermatite de contato, além de sintomas sistêmicos, incluindo dor de cabeça, tontura e náuseas.
O Ministério da Saúde reforça que profissionais de salões de beleza e barbearias devem verificar se as pomadas utilizadas possuem registro na Anvisa, utilizando o painel oficial de consulta do órgão regulador. A pasta também destaca que a intoxicação exógena é de notificação compulsória, devendo ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ferramenta essencial para o monitoramento dos casos e o fortalecimento das ações de vigilância em saúde.
Entre as principais recomendações estão a verificação da regularização do produto, o cumprimento das instruções do fabricante, o uso de quantidade adequada e a evitação do contato com água, especialmente antes de entrar em piscinas ou no mar. Em caso de contato com os olhos, a orientação é lavar imediatamente com água corrente por pelo menos 15 minutos e procurar atendimento médico.
O alerta do Ministério ganha ainda mais relevância após o aumento de emergências oftalmológicas registrado no final de 2023, reforçando a necessidade de prevenção, informação e resposta rápida diante de qualquer sintoma.