O cinema brasileiro volta a ocupar posição de destaque no cenário internacional com o filme O Agente Secreto, que conquistou quatro indicações ao Oscar 2026, consolidando-se como um dos maiores feitos da história audiovisual do país. A produção dirigida pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Direção de Elenco. A cerimônia da Academia está marcada para 15 de março, em Los Angeles.
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O protagonismo brasileiro nesta edição do Oscar se estende a outras categorias técnicas. O diretor de fotografia Adolpho Veloso foi indicado a Melhor Fotografia pelo trabalho no filme norte-americano Sonhos de Trem (Train Dreams), dirigido por Clint Bentley, reforçando a presença nacional entre os destaques da premiação.
Antes mesmo das indicações da Academia, O Agente Secreto já vinha acumulando reconhecimento internacional. O filme venceu recentemente o Globo de Ouro de Melhor Filme Internacional e garantiu também o prêmio de Melhor Ator para Wagner Moura.
Além do prestígio artístico, o filme também alcançou resultados expressivos no circuito comercial. Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) apontam que a produção ultrapassou 1,1 milhão de espectadores e arrecadou mais de R$ 25 milhões em bilheteria, considerando o período da 52ª semana cinematográfica de 2025 até a 1ª semana de 2026. Trata-se do primeiro longa produzido fora do eixo Sul-Sudeste a atingir a marca de 1 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros.
A realização de O Agente Secreto contou com forte apoio de políticas públicas de fomento ao audiovisual. A produção recebeu R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para sua execução e R$ 750 mil destinados à comercialização. O FSA é o principal mecanismo de financiamento da indústria audiovisual brasileira, apoiando desde o desenvolvimento de roteiros até a modernização das salas de cinema. Filmes de longa-metragem não são elegíveis para recursos via Lei Rouanet.
Além disso, o projeto também foi beneficiado pela Lei do Audiovisual, que permite a empresas destinarem parte do Imposto de Renda para o incentivo a produções nacionais. Por meio desse mecanismo, o longa garantiu R$ 3 milhões adicionais para a etapa de comercialização.
O desempenho de O Agente Secreto evidencia o impacto das políticas públicas no fortalecimento do audiovisual brasileiro, ampliando a presença internacional das produções nacionais, gerando empregos no setor e reforçando o protagonismo do Brasil em grandes premiações globais.