A pressão arterial de 12 por 8, tradicionalmente vista como normal, passa a ser classificada como pré-hipertensão no Brasil. A mudança foi estabelecida em nova diretriz elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).
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De acordo com o documento, valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica) passam a ser considerados de risco, funcionando como um sinal de alerta para prevenção de doenças cardiovasculares.
Segundo os especialistas, a meta mais rigorosa busca reduzir complicações graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Nos casos em que não é possível alcançar números tão baixos com segurança, a orientação é manter os níveis o mais reduzidos possível.
A diretriz também amplia a forma de avaliação, destacando que controlar apenas a pressão não é suficiente. Foi incorporado o escore PREVENT, ferramenta que calcula a probabilidade de um paciente sofrer um evento cardiovascular em até dez anos, considerando fatores como obesidade, diabetes, colesterol elevado e lesões em órgãos como rins e coração. Com isso, o tratamento passa a se aproximar do conceito de medicina de precisão, em que a conduta é adaptada ao risco individual de cada paciente.
Pela primeira vez, o relatório dedica um capítulo ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão reflete a realidade brasileira, já que cerca de 75% dos hipertensos são acompanhados na rede pública.
Outro capítulo inédito do documento traz orientações voltadas à saúde feminina, reconhecendo que há fases de maior vulnerabilidade para a hipertensão.
- Anticoncepcionais: a diretriz recomenda medir a pressão antes da prescrição e monitorar regularmente durante o uso.
- Gestação: medicamentos considerados seguros, como a metildopa e alguns bloqueadores de canais de cálcio (nifedipina de longa duração, amlodipina), devem ser priorizados em gestantes hipertensas.
- Peri e pós-menopausa: fases em que a pressão tende a subir, exigindo acompanhamento mais próximo.
- Histórico gestacional: mulheres que tiveram hipertensão na gravidez precisam de acompanhamento de longo prazo, já que esse histórico aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro.
O documento reforça, ainda, medidas já conhecidas, mas fundamentais:
- Mudanças no estilo de vida: perda de peso, redução do sal, aumento de potássio na dieta, padrão alimentar DASH e prática regular de atividade física.
- Tratamento medicamentoso: para a maioria dos pacientes, a recomendação é começar com associação de dois medicamentos em baixa dose, preferencialmente em um único comprimido. As classes mais indicadas incluem diuréticos tiazídicos, inibidores da ECA, bloqueadores de receptores de angiotensina e bloqueadores de canais de cálcio.
- Populações específicas: a meta de 13×8 (130/80 mmHg) também vale para pacientes com diabetes, obesidade, insuficiência renal, doença arterial coronariana e após AVC.(Ministério da Saúde)