O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início, a partir de 17 de janeiro, à aplicação da primeira vacina contra a dengue de dose única aprovada no mundo, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A estreia do imunizante ocorrerá de forma gradual e restrita, como parte de uma estratégia de monitoramento definida pelo Ministério da Saúde.
Foto |Reprodução da vacina/ Renato Rodrigues/Comunicação Butantan
As primeiras cidades a receber a vacina serão Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), no dia 17. Já em 18 de janeiro, a aplicação começa em Botucatu (SP). Nesta etapa inicial, o foco está na população entre 15 e 59 anos, além de alguns profissionais da atenção primária que atuam em unidades básicas de saúde.
Produzida no Brasil, a vacina apresenta 74% de eficácia contra a dengue sintomática e 89% de proteção contra as formas graves da doença. Para o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, o caráter de dose única representa um avanço significativo. “É a primeira vacina de dose única aprovada em todo o mundo. Isso facilita enormemente as campanhas de vacinação e fortalece as estratégias de prevenção da doença”, destacou.
O lançamento do imunizante ocorre em um contexto de forte impacto da dengue no país. Em 2024, o Brasil confirmou mais de 1,4 milhão de casos, sendo São Paulo o estado com maior número de registros, ultrapassando 800 mil diagnósticos. Especialistas avaliam que a vacina tende a contribuir para a redução da circulação do vírus e da sobrecarga no sistema de saúde.
Os dados mais recentes indicam avanço no controle da doença. Em 2025, o país registrou queda de 75% nos casos prováveis de dengue e redução de 72% nos óbitos, na comparação com 2024. Ainda assim, autoridades reforçam que a vacinação não substitui as ações contínuas de combate ao Aedes aegypti.
Desde novembro, o Ministério da Saúde mantém em andamento a campanha nacional “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”, voltada à prevenção das arboviroses. O enfrentamento dessas doenças depende da atuação conjunta entre poder público e população.
Entre as principais medidas de prevenção recomendadas estão:
- uso de telas em janelas e repelentes em áreas de transmissão reconhecida;
- eliminação de recipientes que possam se tornar criadouros do mosquito;
- vedação adequada de reservatórios e caixas d’água;
- limpeza regular de calhas, lajes e ralos;
- apoio e adesão às ações de controle realizadas pelos profissionais do SUS.